O Estrangeiro

Santinha era uma menina legal. Quieta, inteligente, estudiosa, às vezes meio nerd, mas que gostava de beber com cautela. Bonitinha. Nada demais. Não chamava atenção quando entrava em um bar, nem fazia o estilo Barbie Girl, mas, vá lá, no fim da festa não era eleita para a frase “guardanapo vira bolo”.

Sua vida era se concentrar em entender as palavras. Estudava Letras na faculdade e queria entender todas as subjetividades de subjuntivos e vírgulas. Toda a literatura era pano de fundo para a ver as palavras e entender todo o significado por trás delas. O desenho da letra “s”, por exemplo, é uma forma misteriosa que chama a atenção e, ao mesmo tempo, esconde o que há no som e no seu significado.

As conversas para ela eram uma forma de ver o mundo. Nunca tinha ido à Europa, mas sabia todos os detalhes sobre as noites mais undergrounds de Londres. Entendia profundamente sobre perfumes, conhecia diversas peças teatrais, e podia discutir de igual para igual sobre a Guerra Fria com um historiador, eu acho. Tudo através de conversas. Não que ela expusesse isso para os outros, mas tinha poder para isso.

Com toda esta concentração ela não conseguia entender o que a pessoa que mais lhe interessava falava. Ele ficava sempre de lado das rodas observando, e quando pronunciava alguma coisa, parecia ter sido dita em outro língua para Santinha. Incrível, mas era assim. E eu acredito até hoje que ele não a entendia também.

Apesar de todas as tentativas fracassadas, o olhar fazia ela entendê-lo um pouco. Era uma coisa romântica, quase impróvavel de se consertar. Ela entendia muito de vários assuntos e era capaz de ter uma conversa terapêutica com alguém, mas aquele ‘um’ seria sempre um enigma.

A solução arranjada foi construir um dicionário de olhares. Já que aquele estrangeiro não conseguia comunicar-se através das palavras, a única forma seria a serenidade transmitida pelos olhos.

Não deu certo.

Eles continuam tentando se fazer entender. Às vezes gritam palavras incompreensíveis um para o outro, mas no final das contas o olhar mantém alguma coisa.

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People, I’m on twitter!

Não adianta.
Quando surge uma invencionice, modinha, etc e tal, eu resisto um pouco a mudança, mas acabo entrando na onda. Claro que de prima não adimito que é para-todo-o-sempre [se bem que quase nada na internet dura tanto assim].

Primeiro eu entro em ‘caráter experimental’ para avaliar o terreno. Quase sempre as modinhas que entro me conquistam. Dessa vez não foi diferente.

People, I’m on twitter.

Se eu já não resisto a uma novidade, se for um tipo de blog então, nem se fala. Há muito eu queria algo para escrever mensagens curtinhas, já que na maioria das vezes bate uma preguiça imensa de atualizar.

Quando eu precisar de mais de 140 caracteres eu venho aqui, ou polpo a internet de mais um monte de lixo.

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www.twitter.com/patetablah

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Um domingo que poderia ser outro qualquer

“E é gol do Flamengo”.

Um domingo ruim termina aí. Gol do Flamengo depois de noventa minutos de bola rolando na grande área do Fla.
A zaga tremia, o ataque não chegava.
“Corre! Vai! Toca! Chuta! No gol!”

O alvinegro dominando a partida. A cerveja com copo suado. Os gritos competindo com os fogos. Ansiedade. Felicidade. Calmaria. Raiva. Impaciência.

Claro que vai dar tempo.

Não deu.

Um domingo ruim começa com o seu querido dizendo que basta.
Eu não vou mais. Você combinou comigo, porque não avisou antes? Não quis. Fiz. Não diz que eu tenho que fazer tudo na hora que você quer. Então, basta. Então tá. Então eu vou ver em Bangu!

Um domingo é ruim porque você tem que trabalhar na segunda, quando todo mundo enforca porque terça é feriado.
Independente de qualquer acontecimento ele já seria ruim, mas se torna pior quando o maraca comemora um segundo turno de bandeja. 

E que cerveja bem cervida para eles…

Se torna pior quando te cobram coisas que você não quer fazer. É família, queridos, amigos. E eu só queria a minha mochila e um Ipod.

Se torna pior simplesmente por que você abomina o domingo.

E vamos com a segunda parte de Domingão do Faustão..

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Eu quero ver o mundo

Era uma vez uma Gnoma (não sei se esse é o feminino correto, mas vamos usar mesmo assim porque eu quero).

Gnoma vivia em um bosque no meio do mundo, mas não conseguia ver nada além de galhos, folhas e flores. Os grandes acontecimentos se limitavam a coisas como o nascimento de animais e festas gnomescas, cujos divertimentos principais eram cantar em volta de uma fogueira.

Era uma felicidade só essa vida simples, mas ela sabia que tinham mais coisas além do choro de um filhote e do trepidar da madeira pegando fogo. A vida poderia ser diferente, e ela poderia viver novas histórias e aprender outros tipos de diversão.

Um dia ela passou pelas árvores e viu o mundo.

Ele era tão grande…
Eram tantas coisas para conhecer que Gnoma não sabia como começar.

E ela viu. Viu muito. Viu tanto que ficou cansada e sentiu falta do bosque, dos Gnomos e paz daquele lugar.

Foi aí que ela percebeu que não precisava deixar de lado aquela vida pacata para ver o resto do mundo.
Era só aproveitar os feriadões, tipo carnaval ou semana santa.

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A noite é perversa

Aqueles que me conhecem bem sabem que ela já foi uma, se não a melhor, amiga por muito tempo. A noite, com as luzes piscantes e seus drinks coloridos, pode ser uma “pariceira” (do Glossário de mamãe, passageira) que traz boas risadas e guarda lembranças engraçadas. Quem nunca pagou um mico qualquer e ficou rindo no dia seguinte, bebendo água sem parar e tomando engov? Toda aquela energia ao som do tumtztum da pista é inigualável. Parece que os problemas somem e a gente sai suado, rindo, esquecendo os espíritos obsessores.

Porém, ela também pode ser traiçoeira. Tirando todos os medos de drogas em bebidas, brigas e confusões, a noite pode ser uma falsa amiga. O clima de alegria só inebria a gente até o sol raiar. A noite é perversa. Todo mundo tem que posar como feliz, e as atitudes têm que demonstrar isso. Ela não preenche ninguém, só torna a gente mais individualista. É uma grande reunião de gente buscando o prazer individual. E que se dane o resto.

Mas como tudo na vida é o equilíbrio, para a noite não reinar sempre, o sol nasce pela manhã.

Só não se enganem pensando que esse sol é a luz redentora, e que tudo acabará ao som dos passarinhos. Esse sol que traz aconchego e proteção também cega. O mundo não é tão bonito sempre como quando iluminado pelos raios de manhã.

De qualquer forma existe tempo para os dois. O problema é que geralmente procuramos a nossa amiga quando existem feridas abertas, que, às vezes, são causadas pelo sol.

A noite é perversa com quem se deixa levar. Ela não é inimiga, só não é preciso ter um contato constante.

 

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Marry me, Mr. Right

A vida é mesmo engraçadinha. Ela é uma variedade, substantivada femininamente, do tiozão que faz a piada do “é pavê ou pá comê?”.

De todas as situações que meu coração mini petrificado fazia antigamente, a atual conjuntura nunca poderia passar por tal cabeça de vento para, no mínimo, ser negada. Jesus, aquele hiponga de chinelos de couro e barba por fazer, demonstrou muito bem naquela experiência da água pro vinho, que muita coisa muda sem a gente nunca ter imaginado que mudaria.

Depois de anos no esquema myself comigo mesma, me deparei com um tal sujeito que modificaria todo o meu plano de navegação. Tenho que ser justa e dizer que no início ele não me parecia o porto certo para ancorar, mas depois, com os olhos adoçados, ele se tornou meu Mr. Right.

Pausa.

Sempre achei breguíssimo esse negócio de declarações na internet. Vai ver era o medo de dar com as burras n’água (ver www.muleburra.com), ou só achava brega mesmo. Ou talvez eu nunca tivesse gostado ninguém assim.

O fato é que num dia a gente está lendo a Capricho para descobrir as últimas 30 dicas perfeitas para conquistar o seu gatinho”, no outro lemos umas trintonas reclamarem que falta homem bom no mercado, e no terceiro a gente mini usa a mesma, digo, junta escova de dentes.

Inesperado.

Uma Tsunami passou e eu me agarrei aonde podia segurar.

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Chefes não são gente

Meu pai sempre me disse a frase-título deste post. Agora entendo o porquê.

Desde que “encuquei” a louca idéia de viver de jornalismo, tenho me esforçado muito para melhorar minhas técnicas, e achar o estágio ideal para eu pôr tudo em prática. Óbvio que lá nesse outro mundo eu não posso brincar com trocadilhos infames e estereótipos sem-noção como aqui. Nada, aqui é meu playground, e lá é tipo o elevador. Aqui eu brinco, nano xingo, falo mal do mundo e não tem problema porque ninguém lê mesmo, e ninguém levaria a sério palavras proferidas por um ser auto-intitulado de Pateta Blah.

Lá é um mundo em que se você soltar um pum todo mundo vai saber que foi você, porque é isso o que acontece no elevador. Se der aquela escapulida sua testa mostra para todos os seus vizinhos irritantes que você é mal educado. Nesse outro mundo é assim. Uma vírgula no lugar errado e você é um incompetente para escrever uma merda de uma notícia que ninguém lê no mural.

Voltando ao monstro que denominamos de chefe, esse é o pior ser do universo para mostrar que você é uma ameba e não deveria estar ali. Para esse Gremlim, nada do que você faz está bom, mesmo quando ele nem é capacitado como você é para discernir o que é bom e o que é ruim. E se você é um “escraviário” então, adeus razão. Você nunca estará certo.

No jornalismo a figura do editor é um clássico monstro-fábula que acaba com os nossos textos e deixa eles totalmente desfigurados. Meu primeiro editor era assim. Eu escrevia algo aparentemente com credibilidade e ele deixava meio sou-um-jovem-demente-da-zona-sul-que-só-vai-em-festas-e-não-sabe-pensar. Eu entendia, ele direcionava para o tal do público-alvo. Meu segundo editor não mutilava tanto assim meus textos, mas teve um caso em que eu nem fui avisada de como terminaria a matéria.

Minha chefe atual parecia ser um amo no início, assim como o bichinho fofo que, quando molhado, virava aqueles seres horripilantes verdes e gosmentos. Até que suas manguinhas brotaram, e ela me deu um ultimato. “Não está funcionando. Ou você melhora, ou procura outro estágio”. Mas que diabos! Apesar de ela desfigurar meus textos, como em CSI que os defuntos levam porrada de cano e o cacete a quatro na cara e ficam irreconhecíveis, ela nunca disse que eu estava indo mal!

Pois bem, isso é um blog e eu não pretendo me estender muito.

Chefes não são gente, são Gremlins. Eles parecem bonitinhos quando precisam que você faça hora extra, mas se você chegar um dia atrasado sacam as garras gosmentas. Se precisarem que você faça um trabalho totalmente diferente da sua função, vão falar com aquela voz sedosa, mas na hora de dizer “que não está dando certo”, a frase sai quase como um grunhido.

Não deixemos eles se molharem.

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Ella e o os homens que não eram dela

Ella era uma bela mulher. Uma mulher bela no estilo “Dez dicas para você ser independente sem deixar de ser sexy”, como se ensina nas revistas. Tinha bom humor e inteligência perspicaz. E unhas vermelhas. Na maioria das vezes cansava quem tentava travar um duelo de piadas mais blasé do universo. Esse era seu maior esporte. Te detonava, mas você a amava, por mais que saísse dali ‘mini’ humilhado.

 

Ela passava uma idéia de fortaleza, mas não poderia ser um porto seguro. Nem todo mundo entendia, mas era o jeito dela. Ouvia-te, mas não poderia deixar de te apunhalar com verdades que Ella mesmo não escutaria. Era mais objetiva, direta nas resoluções, mais homem na hora de conversar sobre problemas dos outros e Della.

 

Ela era uma história de Nelson Rodrigues encarnada, mas bem mal contada por mim. Uma injustiça a ela. Ella tinha três romances: a noite, o compromisso e o amante. E não tinha nenhum, porque nada pertencia à Ella. Seu altruísmo egoísta era fascinante e detestável. Era Ella desprendida “dessas coisas materiais”.

 

Mas…chega de definir Ella. Ela tem que ser contada, e detalhada com contexto político-socio-ambiental-antropofágico ideal.

 

Um dia se viu num beco sem saída. O compromisso não esperou, a noite se tornou uma rotina e o amante era um amigo. E no alto de seu salto quinze, ela não decidiu por nada. Comprou um chocolate, um cigarro, e ajeitou as meias que escorregavam pela perna.

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Se Deus quiser, não vou ter férias por um bom tempo

Neste final de semana, em uma daquelas conversas de família, surgiram mil planos de nós cinco colocarmos a mochila nas costas, e partirmos rumo à Machupichu. Daí eu soltei essa frase, que provocou o riso coletivo. A frase é estranha, mas para mim é uma alegria. Não ter férias significa que eu tenho um estágio, um trabalho que acrescenta à minha carreira – ao sonho de ser avenida – e ao meu bolso.

Felizmente a faculdade já não arranca meus cabelos, e agora posso até me dar o luxo de acordar dez horas da manhã, mas às 14h tenho que estar vestida de Barbie estagiária no Largo da Carioca, enquanto muitos amigos estão desfrutando de um cinema ou de uma viagem.

E nesse meu início de uma fase Pollyana, me faz feliz saber disso.

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Ô Márrrcia, eu não agüento mais Márrrcia!

Não sei se alguém aí do outro lado vê ou já viu o programa da Márcia Golshmidt (não se a grafia está certa e estou com preguiça de dar um Google), mas eu me lembro bem dos dias em que fingia que estava com bronquite para não ir à aula, e ligava a TV a tarde toda na bandeirantes para ver o último marido traído, ou a descoberta de um filho gay.

“Márrrcia” (como os participantes paulistas chamam a apresentadora) nos prende por aquela dosezinha de veneno que corre nas nossas veias, e que necessita de uma mini dose de fofoca. Mesmo que seja de alguém que a gente não fazia idéia que existia até a louraça contar mais um escândalo familiar.

Meu blog tá meio “Márrrcia” e eu acho melhor dar uma pausa nisso. Até porque a pseudo briga está sem mediador para impedir que um jogue no outro aquele balde d’água que fica escondido atrás do sofá.Minhas queridinhas amigas jornalistas (ou não) confiram todas as novelas na íntegra ao lado do nosso camarada Kenney, e o resto que fique curioso com as entrelinhas 1,5.

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