Arquivo para julho, 2008

Chefes não são gente

Meu pai sempre me disse a frase-título deste post. Agora entendo o porquê.

Desde que “encuquei” a louca idéia de viver de jornalismo, tenho me esforçado muito para melhorar minhas técnicas, e achar o estágio ideal para eu pôr tudo em prática. Óbvio que lá nesse outro mundo eu não posso brincar com trocadilhos infames e estereótipos sem-noção como aqui. Nada, aqui é meu playground, e lá é tipo o elevador. Aqui eu brinco, nano xingo, falo mal do mundo e não tem problema porque ninguém lê mesmo, e ninguém levaria a sério palavras proferidas por um ser auto-intitulado de Pateta Blah.

Lá é um mundo em que se você soltar um pum todo mundo vai saber que foi você, porque é isso o que acontece no elevador. Se der aquela escapulida sua testa mostra para todos os seus vizinhos irritantes que você é mal educado. Nesse outro mundo é assim. Uma vírgula no lugar errado e você é um incompetente para escrever uma merda de uma notícia que ninguém lê no mural.

Voltando ao monstro que denominamos de chefe, esse é o pior ser do universo para mostrar que você é uma ameba e não deveria estar ali. Para esse Gremlim, nada do que você faz está bom, mesmo quando ele nem é capacitado como você é para discernir o que é bom e o que é ruim. E se você é um “escraviário” então, adeus razão. Você nunca estará certo.

No jornalismo a figura do editor é um clássico monstro-fábula que acaba com os nossos textos e deixa eles totalmente desfigurados. Meu primeiro editor era assim. Eu escrevia algo aparentemente com credibilidade e ele deixava meio sou-um-jovem-demente-da-zona-sul-que-só-vai-em-festas-e-não-sabe-pensar. Eu entendia, ele direcionava para o tal do público-alvo. Meu segundo editor não mutilava tanto assim meus textos, mas teve um caso em que eu nem fui avisada de como terminaria a matéria.

Minha chefe atual parecia ser um amo no início, assim como o bichinho fofo que, quando molhado, virava aqueles seres horripilantes verdes e gosmentos. Até que suas manguinhas brotaram, e ela me deu um ultimato. “Não está funcionando. Ou você melhora, ou procura outro estágio”. Mas que diabos! Apesar de ela desfigurar meus textos, como em CSI que os defuntos levam porrada de cano e o cacete a quatro na cara e ficam irreconhecíveis, ela nunca disse que eu estava indo mal!

Pois bem, isso é um blog e eu não pretendo me estender muito.

Chefes não são gente, são Gremlins. Eles parecem bonitinhos quando precisam que você faça hora extra, mas se você chegar um dia atrasado sacam as garras gosmentas. Se precisarem que você faça um trabalho totalmente diferente da sua função, vão falar com aquela voz sedosa, mas na hora de dizer “que não está dando certo”, a frase sai quase como um grunhido.

Não deixemos eles se molharem.

Deixe um comentário »

Ella e o os homens que não eram dela

Ella era uma bela mulher. Uma mulher bela no estilo “Dez dicas para você ser independente sem deixar de ser sexy”, como se ensina nas revistas. Tinha bom humor e inteligência perspicaz. E unhas vermelhas. Na maioria das vezes cansava quem tentava travar um duelo de piadas mais blasé do universo. Esse era seu maior esporte. Te detonava, mas você a amava, por mais que saísse dali ‘mini’ humilhado.

 

Ela passava uma idéia de fortaleza, mas não poderia ser um porto seguro. Nem todo mundo entendia, mas era o jeito dela. Ouvia-te, mas não poderia deixar de te apunhalar com verdades que Ella mesmo não escutaria. Era mais objetiva, direta nas resoluções, mais homem na hora de conversar sobre problemas dos outros e Della.

 

Ela era uma história de Nelson Rodrigues encarnada, mas bem mal contada por mim. Uma injustiça a ela. Ella tinha três romances: a noite, o compromisso e o amante. E não tinha nenhum, porque nada pertencia à Ella. Seu altruísmo egoísta era fascinante e detestável. Era Ella desprendida “dessas coisas materiais”.

 

Mas…chega de definir Ella. Ela tem que ser contada, e detalhada com contexto político-socio-ambiental-antropofágico ideal.

 

Um dia se viu num beco sem saída. O compromisso não esperou, a noite se tornou uma rotina e o amante era um amigo. E no alto de seu salto quinze, ela não decidiu por nada. Comprou um chocolate, um cigarro, e ajeitou as meias que escorregavam pela perna.

Deixe um comentário »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.